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Especial DirecTV Brasil Arquivo

 

Se ainda estivesse com sua marca ativa no Brasil, a DirecTV completaria em julho de 2017 vinte e um anos, o Super Canal TV, conta um pouco da história dessa operadora que deixou saudades.

 

Em 14 de julho de 1996 aconteceu a inauguração do Centro de Transmissão da DirecTV, em Tamboré - São Paulo. A Solenidade contou com a presença do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, do Ministro das Comunicações Sérgio Motta, o Governador do Estado de São Paulo, Mário Covas, o Presidente do Grupo Abril Roberto Civita e o Presidente da Hughes, Michael Armstrong.

Tamanha festa, foi para celebrar a união das empresas: Abril (Brasil), Cisneros (Venezuela), Multivision (México) e , Hughes (Estados Unidos), que possibilitou a chegada do primeiro sistema DTH (Direct to home) no Brasil e América Latina.

 

A DirecTV nasceu nos Estados Unidos em 1994 e logo se tornou um sucesso, o diferencial desse sistema para as TVs a Cabo, é a cobertura. Nos sistemas convencionais de cabo ou MMDS a empresa tem tem alcance limitado, enquanto que o DTH (direct to home) usa satélites para mandar o sinal direto para a casa do assinante, que recebe a programação através de uma mini parabólica conectada a um decodificador.

Dois anos após o seu lançamento nos EUA, foi trazida para Brasil, mas infelizmente não teve a mesma história de sucesso da matriz americana.

Na época do lançamento da DirecTV no Brasil, o país começava a trilhar o caminho da estabilidade econômica, TV por assinatura era um luxo para poucos, em operação só existia a TVA (cabo e MMDS), NET (cabo), Globosat (NETSAT via parabólicas convencionais com sinal analógico) e a TVA Digisat (via satélite com sinal digital banda C).

Os assinantes da TVA Digisat foram migrados para Directv, já que a empresa pertencia ao mesmo grupo, e a Globosat (NETSAT), logo foi desativada, dando lugar a um novo sistema de DTH. A Sky  foi criada pelas Organizações Globo, para fazer frente a DirecTV.

 

Aos poucos começávamos a ver nos telhados, pequenos discos cinza de metal apontados para o horizonte, eram as famosas mini parabólicas, que ligadas a decodificadores recebiam o sinal digital com som de CD e qualidade de DVD (como dizia o comercial da empresa).

Para ser assinante da DirecTV, o interessado pagava a taxa de adesão bem salgada, para ter o equipamento em regime de comodato. Quem quisesse fugir do mesmice da programação das TVs abertas e dos poucos canais oferecidos via satélite pela Globosat, a DirecTV era uma boa alternativa.

 

Em 1997 visando ampliar seus transpoders e poder oferecer um maior número de canais e serviços, a DirecTV fez uma coisa nunca vista antes, transmitiu ao vivo, direto do cabo Canaveral nos EUA, o lançamento do próprio satélite, quem era assinante na época acompanhou todo evento em tempo real.

A troca dos satélites aconteceu dia 25 de fevereiro de 1998, ampliando a recepção do sinal da DirecTV nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
 

A DirecTV estava trazendo para o Brasil o que havia de mais moderno, no seguimento de TV por assinatura digital via satélite.

Decoder modelo GE Decoder modelo RCA

Em 1996, os primeiros modelos de decodificadores já disponibilizavam muitos recursos. Pela primeira vez, o assinante, não precisaria recorrer a uma revista de programação impressa, clicando no botão "guide" do controle remoto, o guia eletrônico aparecia na tela da TV, exibindo o canal, data e horário do programa escolhido.

   

Outros recursos: Mensagem na tela, tarja de informações, descrição de programas, busca de programas, compra de filmes e eventos pelo controle remoto, lista de canais favoritos, mudança de áudio, configuração de cores e transparência da tarja e guia, senha de proteção.

 

Em 1999, o Grupo Abril enfrentou uma crise financeira e resolveu vender 100% das suas ações da DirecTV para o Galaxy Latin America (Sócio Controlador da DirecTV na América Latina), com a formalização do negócio, a TVA/Tevecap, braço do Grupo Abril no segmento de TV por assinatura, deixou de ter qualquer participação acionária na operadora.

Em 2001, mesmo sem a participação do Grupo Abril, a DirecTV estréia no país uma nova forma de assistir TV. A tão anunciada "interatividade" que chegou supostamente com o lançamento da TV Digital aberta, já não é novidade para quem foi cliente da operadora. A segunda geração de decodificadores lançados pela empresa em 2001, possibilitou uma real interatividade entre o telespectador e a televisão

 

   

Junto com os novos equipamentos, novo visual dos guias, menús, tarjas e serviços interativos para os clientes;

 

O Canal 915 dava acesso ao portal de jogos interativos, através do qual o assinante acessava três categorias de jogos eletrônicos – Família, Kids e Arcade. Inicialmente, foram lançados nove: Memory, Tic Tac Toe, Airstrike, Dudes, Bob the Baloney Frog, Backgammon, Connect Four, Thrust e Freddy the Fly; 

O Canal 925, oferecia serviços bancários. Através de uma parceria com o Banco Itaú, os assinantes podiam receber informações sobre o banco, verificar a localização da agência ou o Caixa Eletrônico mais próximo, visualizar extratos, pagar contas, realizar transferências e aplicações financeiras; 

O Canal 943 mostrava o serviço meteorológico, através do qual o assinante podia checar as condições climáticas de 2 mil cidades, sendo 400 no Brasil, bastando pressionar um botão do controle remoto; 

O Canal 981 era o portal do Cliente DirecTV. Os assinantes podiam acessar informações para esclarecer dúvidas, ter informações atualizadas sobre os pacotes de programação, canais pay-per-view e eventos, além de um guia de resolução de problemas simples e auto-explicativo, facilitando e agilizando para o consumidor o recebimento de respostas às perguntas mais freqüentes; 

 

   

O DirecTV Mail no canal 901, permitia o usuário enviar e receber e-mails usando somente o decodificador e um teclado sem fio. Ainda foram lançados um canal de jogos (vendido a-lá-carte), e a versão virtual da revista ELLE, que abordava, astrologia, culinária e comportamento.

O serviço de e-mail, as enquetes e a compra de PPV, dependiam de uma linha telefônica conectada ao aparelho, para o envio dos dados para central.

 

   

Infelizmente, o que era para ser um diferencial e atrair clientes, não funcionou.

Os serviços interativos não surtiram o efeito desejado, e acabou sendo retirado quase totalmente. Apenas alguns jogos foram mantidos.

Devido a problemas financeiros, a ordem era baratear os custos das operações, para tentar diminuir o valor dos pacotes. A retirada da interatividade resultou em uma pequena redução no valor das mensalidades.

 

     

No tempo em que esteve atuando no Brasil, a operadora divulgou seus serviços em revistas, rádios, jornais e principalmente na televisão aberta

Com programas divertidos e sempre contando com a participação de famosos, a DirecTV seduzia seus clientes, mostrando tecnologia de ponta e sua grade de canais, sempre destacando os exclusivos (na época o pacote HBO/MAX Digital e o Disney Channel). Rubens Ewald Filho, Tina Roma, Rodrigo Faro, Emilio Surita , já foram garotos propaganda da DirecTV Brasil.

 

     

Um trunfo perigoso que se voltou contra a própria operadora, foram os contratos de exclusividade.

Era pública e notória a guerra entre a DirecTV e a SKY, a disputa por assinantes, chegou ao ponto das empresas oferecerem adesão gratuita (na época era paga), e ainda descontos nas primeiras mensalidades, caso o cliente migrasse para a concorrente.

A partir de então, cada empresa buscou oferecer serviços e canais exclusivos.

 A DirecTV fechou com toda família HBO e a Disney, enquanto a SKY, que tinha como sócio controlador, as Organizações Globo, usou e abusou do seu poder e talento para fazer televisão, adquirindo o direito de transmissão dos principais campeonatos de futebol, os canais Fox e todos canais Globosat.

 

A exclusividade da DirecTV com HBO, não prejudicou a SKY, e sim a Tecsat TV por assinatura, sem aviso prévio, a programadora dos Canais HBO, obrigou a Tecsat retirar não só os canais premium, mas também o Warner, Sony e outros distribuídos pelo grupo. A Tecsat, acabou perdendo muitos assinantes e depois de passar por dificuldades financeiras, fechou as portas.

 

A disputa estava somente entre as gigantes do setor, a DirecTV com sua qualidade e tecnologia superior e a Sky, que mesmo com um sistema deficiente, tinha um conteúdo infinitamente superior a rival.

 

Em 18 de março de 2003, a DIRECTV Latin America, comunica através da imprensa que: "Para poder cumprir com seus compromissos financeiros e operacionais, entrou com pedido voluntário de reestruturação de acordo com os procedimentos do Chapter 11 do Código Legal Federal dos Estados Unidos". Começava aí, uma jornada de remanejamento econômico para tentar tirar a DirecTV do vermelho.

 

Diante dos acontecimentos, surgiu o interesse da News Corp. (controladora da Sky), em adquirir a participação de 34% na Hughes Electronics (controladora da DirecTV Latin America). Com isso Rupert Murdoch, dono da News Corp. realizaria o sonho de ter uma operadora de TV nos Estados Unidos e ainda de quebra, juntaria as operações da SKY com a DirecTV em toda América Latina.

 

No dia 11 de outubro de 2004, é anunciado o processo de fusão entre as duas operadoras, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), começa uma análise para permitir ou não a junção das duas empresas, é começo do fim da marca DirecTV no Brasil.

 

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Durante o processo de fusão, é adotado o nome de SKY+DirecTV, o sistema tecnológico escolhido para continuar em operação no Brasil foi o da Sky, os decodificadores de todos os assinantes DirecTV começavam a ser trocados, os canais e a numeração permaneciam os mesmos, mas o software e a interface eram da Sky.

Após a substituição dos equipamentos, tiveram início as campanhas para convencer os clientes a migrarem para os pacotes da Sky+DirecTV.

 

   

Ao fazer a transferência para os novos pacotes, o assinante DirecTV ganhava os canais: Telecines, Multishow, Gnt, Canal Brasil, SportTV, Globo News, Fox News, Canal Rural, TV Educativa, Climatempo, Sexy Hot, Forman e serviços interativos (a numeração era também alterada).

Automaticamente eram retirados os canais: Multpremiere, Film&Arts, Rede Mulher, TV Gazeta, G Channel e  Vênus.

 

Em 25 de maio de 2006 chega ao fim o processo de fusão entre Sky e DirecTV, o CADE impõe regras para que a operação fosse efetuada, a principal delas foi o fim dos contratos exclusividade de canais, sendo assim, as concorrentes menores poderiam oferecer os mesmos pacotes e a concorrência não seria desleal.

O DirecTV Group (sócio majoritário) e a Globo Comunicação e Participações S.A. decidem que no Brasil e México, a marca "DirecTV"  sairia de cena, e a união das duas operadoras seguiria como "Sky" (em outros paises da América Latina o processo foi o inverso, foi extinta a marca "Sky" e continuou "DirecTV", quem tivesse maior número de clientes seguiria com a marca em sua região).

Em maio de 2006 a marca DirecTV deixa de existir no Brasil, dando lugar a nova "Sky", uma gigante que se tornou a maior operadora de TV por Assinatura via satélite do país.

 

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Matéria exclusiva: Super Canal TV - Texto e edição de imagens Ronnie Lopes.

Agradecimentos a: DirecTV Group, Globo Comunicação e Participações, Grupo Abril, Grupo Cisneros, Multivision, Hughes.

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