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Crise de Identidade dos Canais da TV por Assinatura

Quando estreou no Brasil a TV por Assinatura tinha como “missão,” oferecer aos assinantes um conteúdo diferenciado e segmentado, onde cada cliente se identificaria e assistiria o canal que mais aproximava-se do seu perfil.

 

Nos Estados Unidos hoje em dia são mais de 500 canais de TV, oferecendo uma grande diversidade de conteúdos para os mais variados gostos, canais de séries, desenhos, vendas, culinária, filmes e outros que mesclam conteúdos, mas são direcionados para determinado público (Homens, mulheres, crianças etc).

Quando estreou em 1991 no Brasil, a proposta era a mesma dos canais americanos, tanto que na época os poucos que eram disponibilizados em nosso país tinham quase 100% de conteúdo estrangeiro, mas sempre seguindo a premissa da segmentação.

 

O Brasil hoje é uma das grandes potencias econômicas do mundo e a América Latina ficou mais influente, sempre avançando, certo? Errado, no setor de TV por assinatura, os monopólios, e as más administrações no setor vão de contra-mão ao desenvolvimento.

 

Os tão esperados canais de TV segmentados, estão cada dia mais difíceis de serem encontrados, o que se vê atualmente é um amontoado de canais que tem de tudo um pouco e esse pouco agrada cada vez menos a grande maioria, que paga para ver quase a mesma coisa que a TV aberta oferece gratuitamente.

 

A metamorfose, transformação ou “evolução” dos canais (como as programadoras responsáveis por tais mudanças denominam), são cada vez mais freqüentes, a mais recente pode ser percebida pelos fãs de animes, o Canal "Animax" se transformou no Sony Spin. Os “Animes” responsáveis pelo nome do canal “Animax” agora são exibidos somente na madrugada, e correm o risco de serem extintos.

 

Mas se isso conforta os órfãos do finado "Animax", saibam que esse canal, já foi assassinado uma vez. Nos primórdios da Directv no Brasil, o mesmo canal já se chamou "Locomotion" e era especializado em desenhos animados como (He-Man, She-ra, Defensores da Terra, Flash Gordon, Recrta Zero, Popey e outros).

Essa prática de descaracterizar determinado canal ou até mesmo mudar de nome é uma constante, principalmente na América Latina.

 

Outros canais sofreram mudanças radicais, como o tão comemorado Boomerang que estreou trazendo o melhor dos desenhos clássicos da Hanna-Barbera, Filmation, MGM e outros estúdios, aboliu o slogan “O que é bom volta” e partiu para uma viagem ao mundo adolescente "emo", até o Cartoon Network que era considerado a casa dos desenhos, vem sendo invadido por live actions e filmes, pelo andar da carruagem a Turner quer transformá-lo em um Boomerang 2, o curioso que nos Estados Unidos, tanto o Boomerang quanto o Cartoon seguem a idéia original.

 

Essas mudanças radicais promovidas pelas programadoras, estão ligadas diretamente ao desejo de atrair mais anunciantes e aumentar o faturamento, quantas vezes você já sintonizou o canal X ou Y e se deparou com uma hora seguida de informeciais?

 

Quem assina a TV Paga é um público com um grande potencial para consumir, por isso os canais exageram nos merchans e propagandas, no Cartoon por exemplo, durante a exibição de um programa, mostra tantos logos e propagandas que mal da para assistir a atração que esta sendo exibida.

 

O sucesso desses canais que foram modificados é temporário, isso porque em um universo de mais de 100 canais o diferencial é que atrai a atenção.

 

Canais de Variedades na TV paga que fazem sucesso tem esse êxito associado as “marcas” que representam, como é o caso do Disney Channel que conta com o acervo e a marca Disney, que é sinônimo de qualidade e o  "Viva" que tem como carro chefe programas e novelas da TV Globo, com exceção desses e outros dois ou três canais de variedades, se analisarmos, os que fazem mais sucesso são os segmentados. (Esportes, Filmes, Jornalísticos e Infantis), esses tem sempre público garantido.

 

Diante de tantas mudanças cabe as operadoras quando forem assinar seus contratos, a criação uma cláusula na qual especifique que: "caso determinado canal contratando fuja da idéia original ou mude de nome, seja retirado imediatamente da sua grade". Isso evitaria que as programadoras enfiassem goela abaixo um novo canal no lugar de outro que já tem distribuição garantida na maioria das operadoras.

 

Se as empresas responsáveis não começarem a perceber que tais mudanças estão afastando os telespectadores e que cada vez mais procuram na Internet um refúgio para encontrar conteúdo diferenciado, vão continuar perdendo público e vai chegar o momento que será difícil reverter tal situação.

(Texto: Ronnie Lopes – Matéria: Super Canal TV.com.br)

 

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